Meu dia de radialista

22 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

É emocionante pra mim falar de rádio.

Eu não sei de onde tirei essa paixão, mas desde pequena lembro de pedir pra minha mãe ligar o rádio enquanto eu desenhava, quando a gente jogava STOP, ou quando eu pentelhava enquanto ela cozinhava. Um pouco mais velha, ainda criança, peguei a mania de dormir ouvindo rádio.

Nessa época, as minhas lembranças são mais da minha mente. Eu me recordo claramente de como eu imaginava aquela pessoa que falava comigo. Anunciando as músicas, falando com o ouvinte. Sempre fui fascinada. Imitava as propagandas de rádio, cantava os jingles. Falava igual aos locutores. Era showoman da família.

De 2004 em diante, o rádio só me deu boas surpresas e bons trabalhos. Neste ano, doismiliquatro, eu conheci a iRadio. Uma rádio de internet em que cada locutor tinha um programa da sua própria casa e com poucos recursos (um programa gratuito e um microfone daqueles brancos e finos) fazia a festa na web. Era uma miscelânia cultural. Pessoas do Brasil inteiro comandando 500 pessoas no mIRC nos finais de semana. Coisa de louco. Me encantei!

Em 2004 ainda tinha muita internet discada no país e meu horário era aos sábados de 14h às 15h. Pico de audiência, diversão total. Muuuuita interação com os ouvintes. Repito: coisa-de-louco. Algo que acabou e parece que as pessoas esqueceram. Hoje em dia não existe proximidade maior do que essa que houve um dia. Todo mundo em seus facebooks e twitters. Não é a mesma coisa. O canal #iradio no mIRC, rede BrasNet batia fácil mais de mil pessoas no final de semana.

Mas a iRadio não era o ganha pão de ninguém. Era amor mesmo. E isso é bonito, é mágico, mas não tinha ninguém pensando no negócio propriamente dito. Resultado: o mIRC foi acabando e a audiência da rádio caindo… Eu fiquei até meados de 2006. Além de apresentar o meu programa, gravava voz para vinhetas, pensava em novos programas. Mas não foi suficiente. Acabou mesmo e agora a rádioweb tenta voltar sem mIRC e já com um monte de concorrentes.

Bom, aí em 2007 veio a oportunidade de apresentar um programa na volta da Rádio Manchete AM para o Rio de Janeiro. Era o Vivo na Noite. Programa popular, de humor, com diversos quadros e uma equipe muito muito animada. De novo, por amor, não ganhávamos nada. Estávamos preenchendo um horário vago na rádio.

Eu, Marcelo Baena e Bernardo Jorge animávamos o rádio AM de segunda a sexta de 22h30 a 00h. Uou! Nem eu acredito que fazia isso. E depois, fomos remanejados para o brilhante horário: de sábado para domingo de 2h às 6h da manhã. Alegria total!

Nosso programa dependia muito da participação dos ouvintes e nesse horário, super madrugada, contávamos com porteiros que viravam a noite, muitas pessoas com insônia, muitos idosos e fãs (!!!!) que nos ouviam desde o período semanal. Ganhamos bolos, pao de queijo, visitas de gente que vinha de looonge, na madrugada, para passar um tempo com a gente. Inexplicável.

Entre os quadros, nós tínhamos o Clube do Pobre Feliz (que dava uma carteirinha para quem se comprovasse, claro, pobre e feliz ao telefone), o Horóscopo com o pai Janjão (Bernardo incorporava quase um Pai de Santo que não falava lé com cré nas suas previsões) e mais uns outros que não me lembro agora. Marcelo Baena era o grande âncora deste programa.

De fevereiro até final de junho, ficamos no horário semanal e de julho até começo de dezembro éramos donos da madrugada. Eles eram os donos. As 4h eu dormia num canto da rádio, que ficava no centro do Rio.

Em maio de 2008, fui chamada pelo querido amigo Ricardo Viapiana – grande amigo de Pato Branco desde os tempos de iRadio – para integrar o time da BestRadio Brasil. Uma rádioweb jovem que não tinha nem estreado ainda, mas precisava de alguém para alimentar o site com notícias sobre música. Topei na hora. E na Best nunca apresentei nada. Só gravei umas vinhetas e fiz cobertura de alguns eventos.

Na Best, o esquema é diferente. Apesar de ser web, tem estúdio próprio, equipamento profissional, e os programas são gerados apenas deste estúdio, em São Paulo. É uma boa técnica para profissionalização do meio na internet. A Best é muito caprichada. Muita qualidade de áudio, boa técnica. Foi um senhor investimento montar aquilo ali.

Ficamos em teste de maio até agosto. Em 16/08 nasceu a BestRadio Brasil pro mundo.

Bom, depois de um tempo escrevendo notícias pro site, eu montei as redes sociais da rádio, ainda alimentei Twitter e Facebook de lá por um tempo. Comecei a pensar mais no planejamento de ações para o calendário publicitário (o que poderíamos fazer pro dia dos namorados, natal, etc..). Também fiz cobertura do show da Madonna e SWU ao vivo. Pensei muito no planejamento e fiquei conhecendo outra parte do rádio e da internet. O lado empreendendor e de negócio. Oportunidades que vieram automaticamente, por necessidade, por vontade de experimentar. E sempre com aval de David Jill, criador e empenhado trabalhador da rádio.

Em 2009, a BestRadio Brasil ganhou o prêmio de Melhor RádioWeb, pelo Prêmio da Escola de Rádio do Rio de Janeiro. Ficamos na frente da Globo, Multishow, GNT. Sensação incomparável.

Hoje a Best sobrevive sem mim, mas nunca vai sair de mim. É amor, de novo.

Desculpa por ser tão extensa, mas pela primeira vez estou registrando um momento tão importante da minha vida aqui.

O rádio me deu amigos, amores, me ensinou na marra a falar em público, a lidar com o público. Me deu muito jogo de cintura.

Sinto que quando eu trabalhava mais com a fala, eu tinha mais desenvoltura e pensava mais rápido. Preciso voltar para o rádio dessa maneira. Falando. Meu negócio não é nem tanto escrever, mas adoro ser comunicadora de alguma coisa para alguém.

Hoje foi o dia do Radialista e é com muito carinho que eu lembro de todas as pessoas com quem esbarrei nos rádios por aí. Na web, no Rio. Pelo computador ou ao vivo.

Radialista não é só o locutor, é quem faz pelo rádio. É quem tem a vocação, quem tem a paixão dentro de si. E só quem tem, sabe como é.

<3

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